A avenida que costura Balneário Camboriú a Itajaí sai do papel
A prefeita Juliana Pavan e o governador Jorginho Mello assinaram a ordem de serviço do último trecho da Avenida Martin Luther, uma obra de mais de R$ 100 milhões que abre um novo acesso pelo lado norte de BC até a divisa com Itajaí. As duas cidades mais valiosas do litoral estão sendo fisicamente conectadas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Balneário Camboriú e Itajaí sempre foram vizinhas de fato, mas separadas no trânsito do dia a dia. Isso começou a mudar em 2 de julho, quando a prefeita Juliana Pavan e o governador Jorginho Mello assinaram a ordem de serviço do terceiro e último trecho da Avenida Martin Luther, a etapa que fecha uma nova ligação entre as duas cidades pelo lado norte de BC.
Para quem investe, o recado é maior do que asfalto. As duas cidades com o metro quadrado mais valorizado do litoral estão sendo, literalmente, costuradas uma na outra.
O que foi assinado
O novo trecho tem cerca de 1,5 quilômetro e é executado em duas fases. Ele completa o chamado binário com a Avenida do Estado Dalmo Vieira, criando um novo caminho pela região norte da cidade em direção à divisa com Itajaí. A obra deve começar poucos dias após a assinatura, e a primeira fase tem prazo de aproximadamente um ano.
| Avenida Martin Luther · 3º trecho | |
|---|---|
| Fase 1 | Av. das Gaivotas → Av. das Arapongas (região do Ariribá) |
| Fase 2 | Av. das Arapongas → divisa com Itajaí (Rua Suécia) |
| Extensão | Cerca de 1,5 km |
| Investimento total | Mais de R$ 100 milhões |
| Início / prazo | Obra em poucos dias; Fase 1 em cerca de 1 ano |
É a peça final de um projeto que a cidade vem construindo por etapas: o trecho 2 foi inaugurado em julho de 2025, com mais de R$ 12 milhões, e agora entra o trecho que fecha a conta e chega até Itajaí.
Onde está o dinheiro (e por que isso é bom sinal)
Vale abrir a composição dos mais de R$ 100 milhões, porque ela conta uma história. A maior parte é recurso do próprio município, e cerca de R$ 70 milhões vão para as desapropriações: mais de 40 imóveis que precisam sair do caminho para a avenida passar. A obra física em si supera R$ 31 milhões, e o Governo do Estado entra com um convênio de R$ 18 milhões para a fase que alcança a divisa, com R$ 13 milhões de contrapartida municipal.
Abrir uma avenida nova dentro de uma cidade já adensada como Balneário Camboriú custa caro justamente porque exige espaço. Quando o poder público decide bancar essa conta, e ela é grande, o que ele está sinalizando é o tamanho da aposta na região. Não se desapropria meio quarteirão por uma obra secundária.
O que a avenida resolve
A Martin Luther é uma via da região norte de BC, que corre por dentro da malha urbana e ajuda a desafogar o trânsito que hoje se concentra na orla e na BR-101. Ao avançar até a divisa, ela cria uma alternativa de ligação com Itajaí que não existia com essa fluidez, aproximando bairros que ficam exatamente na costura das duas cidades, como o Ariribá.
É a mesma lógica de outra frente que BC abriu recentemente, a Ponte Barra Sul, só que no extremo oposto do mapa: enquanto a ponte mira a zona sul de luxo, a Martin Luther costura o vetor norte, em direção a Itajaí. A cidade está trabalhando as duas pontas ao mesmo tempo.
Por que isso importa para o mercado
Aqui está o ponto para quem acompanha valor. As duas cidades que essa avenida aproxima não são vizinhas quaisquer: são, hoje, o topo do mercado catarinense.
| O eixo que está sendo conectado (m², FipeZAP jun/2026) | |
|---|---|
| Balneário Camboriú | R$ 15.228 / m² (2ª do Brasil) |
| Itajaí | R$ 13.263 / m² (entre as mais caras do país) |
| Média nacional | R$ 9.853 / m² |
Quando duas praças desse porte deixam de ser “cidades separadas por um trânsito ruim” e passam a funcionar como um tecido urbano contínuo, o mercado enxerga isso como uma só região de oportunidade. Quem mora em uma trabalha na outra com mais facilidade, o comprador passa a comparar endereços dos dois lados da divisa, e os bairros de fronteira, antes vistos como periferia de uma cidade, viram conexão entre duas.
Não se trata de prometer um percentual de valorização, até porque nenhum estudo independente crava isso. Trata-se de ler o fundamento: mobilidade melhor entre dois polos fortes tende a puxar a demanda para o meio do caminho.
Balneário Camboriú em obra
O trecho da Martin Luther não é um movimento isolado. Ele se soma a uma cidade que vem reinvestindo na própria estrutura para sustentar o patamar de preço que conquistou.
| BC reinvestindo na estrutura (2025-2026) | |
|---|---|
| Alargamento da praia central | Faixa de areia ampliada, já realidade |
| Ponte Barra Sul | Nova ligação viária para a zona sul |
| Av. Prefeito Meirinho | Ampliação viária, quase R$ 5 milhões |
| Av. Martin Luther (3º trecho) | Nova ligação norte, mais de R$ 100 milhões |
A cidade que reinou por anos no topo do metro quadrado do Brasil não está parada. Está se reorganizando, rua por rua, para a próxima década.
A leitura da Orla Prime
O último trecho da Avenida Martin Luther é uma notícia de mobilidade com um recado de mercado:
- Duas capitais do m² sendo unidas. Balneário Camboriú e Itajaí estão entre as praças mais caras do país, e a avenida transforma a divisa entre elas de barreira em ponte. Regiões de fronteira costumam ser as últimas a serem lidas pelo preço.
- O tamanho da conta revela o tamanho da aposta. Mais de R$ 100 milhões, com R$ 70 milhões só em desapropriações, é o tipo de investimento que uma cidade só faz quando acredita no que está construindo ali. Sinais assim vêm do orçamento, não do folder.
- BC trabalha as duas pontas. Ponte Barra Sul ao sul, Martin Luther ao norte: a cidade está costurando o próprio mapa nas duas direções, e cada frente abre um vetor diferente de crescimento.
Quando o mapa de acesso de uma cidade muda, o mapa de valor muda junto. Enxergar essa costura antes que ela apareça no preço, e separar o fundamento real da promessa de quem vende, é o trabalho da Bússola Orla Prime.
Perguntas frequentes
O que é o novo trecho da Avenida Martin Luther?
É a terceira e última etapa da Avenida Martin Luther, em Balneário Camboriú, cuja ordem de serviço foi assinada em 2 de julho de 2026 pela prefeita Juliana Pavan e pelo governador Jorginho Mello. São cerca de 1,5 km, executados em duas fases, que abrem um novo acesso pelo lado norte da cidade (região do Ariribá) em direção à divisa com Itajaí, completando um binário com a Avenida do Estado Dalmo Vieira. A obra é orçada em mais de R$ 100 milhões e deve começar poucos dias após a assinatura.
Quanto custa a obra e quem paga?
O investimento total supera R$ 100 milhões. A maior parte é recurso do próprio município de Balneário Camboriú, incluindo cerca de R$ 70 milhões destinados às desapropriações necessárias para abrir a via (mais de 40 imóveis). O Governo de Santa Catarina entra com um convênio de R$ 18 milhões, destinado à fase que chega até a divisa com Itajaí, com uma contrapartida municipal de R$ 13 milhões. A obra física em si passa de R$ 31 milhões.
A obra já liga BC a Itajaí de carro?
Ainda não de forma completa. A ordem de serviço libera a Fase 1, na região do Ariribá, com prazo de cerca de um ano. A Fase 2 é a que avança até a divisa com Itajaí (na altura da Rua Suécia), e a conexão plena, incluindo a futura ligação com a BR-101, depende da conclusão das etapas seguintes. É um caminho sendo aberto em etapas, e esta é a última e decisiva delas.
Essa obra é a mesma coisa que a Ponte Barra Sul?
Não. São dois projetos diferentes de mobilidade em Balneário Camboriú. A Ponte Barra Sul é uma nova ligação para veículos sobre o Rio Camboriú, na zona sul da cidade. A Avenida Martin Luther é uma via da região norte, que avança em direção à divisa com Itajaí. Ambas fazem parte do mesmo movimento da cidade de investir em mobilidade, mas em pontos opostos do mapa.
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