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Menos turista argentino, mais comprador estrangeiro: quem está de olho no litoral de SC

O verão de 2026 teve menos argentino na praia, mas as construtoras do litoral catarinense registram recorde de vendas para estrangeiros e brasileiros que moram no exterior. São públicos diferentes, e o segundo compra pensando em anos, não em quinze dias. Quem está comprando, de onde vem e por quê.

Gabriel Saraiva · Sócio Expansão Habitz 11 de julho de 2026 8 min de leitura
Passageiro com mala olhando o painel de embarque de um aeroporto ao amanhecer, com aviões ao fundo

Imagem ilustrativa gerada por IA

O verão de 2026 em Santa Catarina começou com uma notícia que parecia ruim para o litoral: menos turista argentino. Segundo a Fecomércio-SC, a fatia de argentinos entre os turistas caiu de 22% para 19%, e o gasto médio recuou mais de 16%, efeito de um real mais forte, que encareceu o Brasil para quem vem passar quinze dias.

Só que, ao mesmo tempo e no mesmo litoral, um outro estrangeiro apareceu, não na areia, mas no cartório. As construtoras da região estão registrando recorde de vendas para estrangeiros e para brasileiros que moram no exterior. Não é contradição: são dois públicos completamente diferentes.

Menos turista, mais comprador

A confusão se desfaz quando se separa quem vem passear de quem vem investir.

O turista decide com o câmbio da semana. Se o real está mais forte, a diária fica cara e ele troca a praia catarinense por outro destino. Foi o que aconteceu com o argentino no último verão.

O comprador decide com horizonte de anos. Ele ganha em dólar ou euro, quer diversificar patrimônio, manter um pé no Brasil e capturar a valorização de longo prazo. Para esse, o real a R$ 5,20 por dólar ainda é uma janela e tanto, mesmo que tenha se valorizado um pouco. Como resume bem o momento: menos argentino na praia não significa menos estrangeiro na escritura.

O que dizem as construtoras

Os números mais concretos vêm das próprias incorporadoras, e o movimento aparece em várias delas. Vale a ressalva importante: cada empresa tem o seu recorte, e não existe um dado único de mercado. Mas a direção é a mesma.

Na FG Empreendimentos, a construtora do Senna Tower, em Balneário Camboriú, a fatia de compradores ligados ao exterior mais que triplicou em dois anos:

Estrangeiros Brasileiros no exterior 6% 2024 12% 2025 8% 12% 20% até mai/2026
Fatia de compradores ligados ao exterior (estrangeiros + brasileiros no exterior) na FG Empreendimentos, construtora do Senna Tower. É o recorte de uma empresa, não do mercado. Fonte: FG via Jornal de Brasília (jul/2026).

Os estrangeiros saíram de 3% para 8% das vendas da FG entre 2025 e maio de 2026, e os brasileiros no exterior de 9% para 12%. No Senna Tower especificamente, 16% das vendas foram para estrangeiros, e a FG abriu escritório em Miami para captar esse público.

E não é só a FG:

  • Alumbra (Itajaí): estrangeiros passaram de 3% (2022) para 21% das vendas (2025).
  • Thozen (Porto Belo): de cerca de 10% para 20% em maio de 2026.
  • Torresul: relata que 30% das vendas são para brasileiros que moram no exterior.

Nenhum desses números é “o mercado”. Mas quando quatro construtoras diferentes apontam para o mesmo lado, a tendência é real.

De onde vêm e o que compram

O comprador de fora não é um bloco único. Há três perfis principais:

  • O latino-americano, com destaque para o argentino, historicamente a maior nacionalidade estrangeira no litoral (na Alumbra, 60% das vendas a estrangeiros foram para argentinos).
  • O brasileiro nos Estados Unidos, sobretudo das comunidades de Boston e da Flórida, que ganha em dólar e quer um imóvel no país de origem.
  • O europeu e o brasileiro na Europa, com casos de portugueses comprando alto padrão em Porto Belo e Balneário Camboriú.

O que buscam costuma ser parecido: imóvel de alto padrão, de preferência frente-mar, como segunda moradia, investimento com renda de temporada ou moradia futura para a aposentadoria. A motivação combina patrimônio, vínculo afetivo e a leitura de que a região vai continuar valorizando.

O câmbio e os 5,29 milhões lá fora

O pano de fundo é grande. São 5,29 milhões de brasileiros vivendo no exterior (Itamaraty, 2025), sendo cerca de 2,1 milhões só nos Estados Unidos. Uma fração deles com renda em moeda forte e vontade de ancorar patrimônio no Brasil já representa uma demanda enorme.

E o câmbio ajuda. Com o dólar por volta de R$ 5,20 e o euro perto de R$ 5,85, quem ganha lá fora compra aqui por uma fração do que pagaria num mercado equivalente nos EUA ou na Europa. Vale a honestidade: o real até se valorizou em 2025, então não é o câmbio mais barato da história. Mas, para quem recebe em dólar e pensa em anos, ainda é uma janela ampla, e é justamente essa a diferença para o turista, que sente o real mais forte no bolso na hora da diária.

Como um estrangeiro compra aqui

Uma dúvida comum de quem está fora: dá para comprar? Dá, e é mais simples do que parece.

Imóvel urbano pode ser comprado livremente por estrangeiro, sem precisar morar no Brasil. Basta CPF, passaporte e a documentação civil, com registro em cartório. As exceções ficam em imóveis rurais e em áreas específicas, como os terrenos de marinha (a faixa próxima à orla), que podem exigir autorização, por isso, no litoral, é sempre bom checar a situação do terreno.

Há ainda o VIPER, o “golden visa” brasileiro: quem compra imóvel urbano a partir de R$ 1 milhão pode obter residência no país. As regras e prazos precisam ser confirmados com um advogado, mas o programa existe e é oficial.

A leitura da Habitz

O recorde de compradores de fora diz algo importante sobre o litoral de SC:

  • Turismo e investimento não são a mesma coisa. O verão pode oscilar com o câmbio, mas a decisão de comprar um imóvel segue outra lógica, de prazo mais longo. Um número não anula o outro.
  • A tendência é ampla, o número exato não. Várias construtoras registram alta de compradores ligados ao exterior. Desconfie de quem transformar o recorte de uma empresa em “o mercado inteiro”: o movimento é real, o percentual único não existe.
  • Quem ganha em moeda forte tem vantagem estrutural. Câmbio, valorização e segurança se somam para o brasileiro no exterior e para o estrangeiro. É o mesmo capital comprando mais metro quadrado à beira-mar aqui do que lá fora.

O litoral catarinense deixou de ser só destino de férias para virar destino de patrimônio de quem vive fora. Entender esse comprador, e o caminho prático para ele comprar com segurança, é exatamente o trabalho da Bússola Habitz.

Perguntas frequentes

Estrangeiro pode comprar imóvel no Brasil?

Sim. A compra de imóvel urbano por estrangeiro é livre, sem exigência de morar no país: basta ter CPF regularizado, passaporte e a documentação civil, com registro em cartório. Há restrições para imóveis rurais e para áreas específicas, como terrenos de marinha (a faixa próxima à costa), que podem exigir autorização. Por isso, no litoral, vale conferir a situação do terreno antes de fechar.

Quantos brasileiros moram no exterior?

Cerca de 5,29 milhões, segundo o Relatório Consular Anual do Itamaraty (2025), um recorde. Os Estados Unidos concentram o maior grupo, com aproximadamente 2,1 milhões, seguidos por Portugal (628 mil) e Paraguai (270 mil). Parte relevante desse contingente mantém o plano de aplicar patrimônio no Brasil, e o litoral catarinense virou um dos destinos preferidos.

Por que estrangeiros e brasileiros do exterior estão comprando no litoral de SC?

Por uma combinação de câmbio favorável (quem ganha em dólar ou euro tem poder de compra ampliado em real), valorização consistente da região, segurança (SC é o estado mais seguro do Brasil), vínculo afetivo com o país e infraestrutura (aeroporto, BR-101). Várias construtoras relatam alta na fatia de compradores ligados ao exterior, ainda que os percentuais variem de empresa para empresa.

Existe um 'golden visa' no Brasil?

Sim, o VIPER (Visto de Investidor em Patrimônio Imobiliário e Residência). Ele concede residência ao estrangeiro que compra imóvel urbano a partir de R$ 1 milhão (R$ 700 mil no Norte e Nordeste). É uma residência temporária, com caminho para renovação. As regras e prazos devem ser confirmados com fontes oficiais e um advogado, já que o tema envolve documentação específica.

A carta do litoral catarinense

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