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Um bairro de luxo que banca a própria segurança: as Interpraias e o monitoramento com IA

A região das praias mais exclusivas de Balneário Camboriú vai ganhar um sistema de videomonitoramento com inteligência artificial, reconhecimento facial e leitura de placas. O que chama atenção não é só a tecnologia: é quem está pagando a conta, e o que isso revela sobre a nova fronteira de luxo do litoral.

Gabriel Saraiva · Sócio Expansão Habitz 23 de julho de 2026 7 min de leitura
Praia preservada entre morros verdes ao entardecer, com uma câmera de segurança discreta em primeiro plano

Imagem ilustrativa gerada por IA

Nas praias mais exclusivas de Balneário Camboriú, um grupo de moradores e empresários decidiu não esperar. Em vez de cobrar do poder público mais segurança, eles vão pagar por ela, e com tecnologia de ponta.

A região das Interpraias, faixa de praias preservadas ao sul da cidade (Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras, Laranjeiras), vai ganhar um sistema de videomonitoramento com inteligência artificial. O que a notícia revela vai além das câmeras: é um retrato de como a nova fronteira de luxo do litoral está se organizando.

O que está sendo montado

O plano, tocado pela Agência Interpraias, prevê um sistema de vigilância que começa com cerca de 100 câmeras e mira 300 nos próximos anos, cobrindo os cerca de 10 km² da região. As características, segundo a imprensa catarinense:

  • Monitoramento 24 horas por dia.
  • Reconhecimento facial e leitura automática de placas de veículos.
  • Integração com câmeras de residências e comércios da região, e articulação com a Guarda Municipal e a Polícia Militar.

O investimento é estimado em cerca de R$ 720 mil ao longo de dois anos, valor que a associação ainda está arrecadando (a entidade obteve o CNPJ recentemente e começou a estruturar a captação). É, portanto, um projeto em formação, mas com direção clara.

O detalhe que muda a história: quem paga

Este não é um “Big Brother” instalado pela prefeitura na avenida central. É uma iniciativa privada, custeada pelos próprios proprietários e incorporadoras das Interpraias, e liderada por um nome do setor imobiliário: Maurício Girolamo, presidente da Agência Interpraias e CEO de uma incorporadora da região.

E é aí que a notícia fica interessante para quem investe. Quando os donos de uma região decidem tirar do próprio bolso para bancar segurança inteligente, eles estão dizendo algo sobre o valor do que têm ali. As Interpraias são a fronteira do altíssimo padrão de BC: praias de baixa densidade, natureza preservada, empreendimentos de escala milionária. Segurança, nesse contexto, não é despesa; é parte do produto.

Onde a segurança encontra o valor

Vale a leitura precisa que a gente sempre faz. As projeções de que o sistema vai “valorizar a região” existem, mas vêm justamente de quem financia o projeto e vende imóvel ali, então tratamos como o que são: a aposta de quem está pagando a conta, não um dado independente.

O que é sólido e neutro é o pano de fundo. Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil, com a menor taxa de homicídios do país, 9 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2025 (dados de 2023). E Balneário Camboriú não é novata em tecnologia: a cidade estreou reconhecimento facial em câmeras em 2019 e mantém um projeto municipal próprio de videomonitoramento, separado do das Interpraias.

Num mercado em que o comprador de alto padrão pode escolher qualquer praia do Brasil, segurança percebida é um diferencial concreto. Não porque um estudo garanta X% de valorização, mas porque tranquilidade é exatamente o que esse público procura, e está disposto a pagar.

O outro lado: privacidade e LGPD

Seria incompleto contar essa história só pelo lado bom. Sistemas de reconhecimento facial em espaços de circulação pública abrem um debate legítimo sobre privacidade e proteção de dados. A LGPD trata a biometria facial como dado pessoal sensível, com regras reforçadas, e o tema ganha uma camada extra quando quem opera a captura é um ente privado, e não o Estado.

Não há, até aqui, nenhum questionamento formal ao projeto das Interpraias. Mas é o tipo de iniciativa que o próprio setor precisará conduzir com transparência sobre o uso e a guarda das imagens. Vale acompanhar.

A leitura da Habitz

O caso das Interpraias diz mais sobre o mercado do que sobre câmeras:

  • A zona sul de BC está se assumindo como o topo. Quando uma região se auto-organiza para bancar a própria infraestrutura de segurança, ela está se posicionando como endereço premium. É o mesmo movimento que vimos na Ponte Barra Sul: o poder público e o privado pavimentando o caminho da zona sul.
  • Segurança é qualidade de vida, e qualidade de vida é fundamento. Ignore os percentuais de valorização prometidos por quem vende. O que sustenta valor no longo prazo é o conjunto: praia preservada, baixa densidade, e agora um esforço organizado por segurança. Isso é produto, não folder.
  • Preste atenção em quem investe do próprio bolso. Incorporadores e proprietários colocando dinheiro em segurança inteligente é um sinal de confiança na região, ainda que interessado. Sinais assim costumam anteceder o preço.

Uma faixa de praias que decide se cuidar sozinha está dizendo, na prática, que se enxerga como um lugar que vale a pena proteger. Ler esse tipo de sinal, e separar o fundamento real da promessa de quem vende, é exatamente o trabalho da Bússola Habitz.

Perguntas frequentes

O que é o projeto de videomonitoramento das Interpraias?

É um sistema de câmeras com inteligência artificial planejado para a região das Interpraias, em Balneário Camboriú (as praias do sul, como Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras e Laranjeiras). O plano prevê começar com cerca de 100 câmeras e chegar a 300 nos próximos anos, com monitoramento 24 horas, reconhecimento facial e leitura de placas de veículos. É uma iniciativa privada, da Agência Interpraias, financiada por proprietários e incorporadoras da região, e não um projeto da prefeitura.

Quem paga por esse sistema?

A própria iniciativa privada da região. O custeio é coletivo, com recursos de proprietários de imóveis e incorporadoras das Interpraias, organizados pela Agência Interpraias de Desenvolvimento Sustentável. Não é dinheiro público nem parceria público-privada. O investimento estimado é de cerca de R$ 720 mil ao longo de dois anos, valor ainda em fase de arrecadação.

Balneário Camboriú é uma cidade segura?

Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil, com a menor taxa de homicídios do país (9 por 100 mil habitantes), segundo o Atlas da Violência 2025 (dados de 2023). Balneário Camboriú, além disso, já investe em tecnologia de segurança há anos: estreou reconhecimento facial em câmeras em 2019 e tem um projeto municipal próprio de videomonitoramento, separado do das Interpraias.

Câmera de segurança valoriza imóvel?

Segurança e qualidade de vida são fatores que pesam na decisão de quem compra, especialmente no alto padrão. Mas vale honestidade: não existe estudo independente medindo quanto um sistema de câmeras valoriza os imóveis do entorno, e as projeções de valorização que circulam vêm justamente de quem financia o projeto e vende imóvel na região. O ponto sólido é outro: a segurança percebida é parte do produto que a zona sul de BC está construindo.

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