O porto voltou: a virada que está recolocando Itajaí no topo da economia catarinense
Itajaí perdeu o posto de maior economia de Santa Catarina justamente quando seu porto parou. Agora os contêineres voltaram e crescem 40%, os cruzeiros trouxeram 164 mil passageiros, um shopping dentro da marina está de pé e um arrendamento de R$ 2,8 bilhões avança. A história de uma cidade que está se reconstruindo.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Toda cidade tem um motor. O de Itajaí é o porto. E há poucos exemplos tão claros disso quanto o que aconteceu com a cidade nos últimos anos: quando o porto parou, a economia sentiu; agora que o porto voltou, a cidade inteira volta com ele.
Essa é uma história de reconstrução, e ela está acontecendo com número, data e obra no chão.
A queda teve nome e endereço
Itajaí já foi a maior economia de Santa Catarina. Nos dados mais recentes do IBGE (PIB dos Municípios, ano-base 2023), ela aparece em segundo lugar, com R$ 48,2 bilhões, atrás de Joinville (R$ 49,8 bilhões). As duas estão entre as 30 maiores economias do Brasil, então a diferença é pequena, mas a queda teve uma causa muito específica.
Foi o porto. Em 2023, os terminais de contêineres pararam e a operadora deixou o complexo. Uma cidade que vive da movimentação de carga sentiu o baque direto no PIB. É um caso raro em que dá para apontar o motivo exato de um número.
E é justamente por isso que a retomada é tão significativa.
A virada já está nos números
O porto voltou a operar contêineres em outubro de 2024, com a JBS Terminais assumindo a operação. O resultado apareceu rápido:
- 384,4 mil contêineres movimentados em 2025, o primeiro ano cheio da retomada.
- Crescimento de cerca de 40% nos primeiros meses de 2026, na comparação com o ano anterior.
- Na temporada de cruzeiros 2025/2026, o porto recebeu 38 escalas e mais de 164 mil passageiros.
Não é promessa de recuperação: é recuperação medida, com o motor girando de novo.
O que está em movimento agora
E o que vem pela frente é maior. A cidade tem uma agenda de projetos que combina porto, turismo e requalificação da orla fluvial:
| O que | Situação |
|---|---|
| Arrendamento definitivo do porto | Projeto de R$ 2,8 bilhões, com ampliação de 90% dos pátios. Consulta pública da Antaq aberta até agosto de 2026 |
| Boulevard Marina Itajaí | Em obras desde novembro de 2024, na Marina Itajaí. Entrega prevista para o verão 2026/27 |
| Novo terminal de cruzeiros | Masterplan entregue em junho de 2026, conduzido com apoio do Instituto Mais Itajaí |
| Ligação Praia Brava–BR-101 | Projeto executivo contratado em outubro de 2025 |
O Boulevard Marina Itajaí, da incorporadora ABecker, é o mais visível: um complexo de compras e lazer erguido dentro da marina, na Baía Afonso Wippel, que a incorporadora apresenta como o primeiro shopping em marina do Brasil. As obras começaram em novembro de 2024 e a entrega está prevista para o verão de 2026/27.
Vale um destaque para o Instituto Mais Itajaí, uma organização que reúne 29 empresas da região e vem doando ao município projetos executivos de infraestrutura. É um modelo pouco comum no Brasil: a iniciativa privada financiando o desenho das obras públicas que destravam a própria cidade.
A cidade por trás do porto
Itajaí é bem mais do que carga. É Capital Nacional da Pesca, título oficializado por lei federal em 2023, e um polo náutico de peso: sedia desde 2021 o grupo OKEAN, o único estaleiro do mundo licenciado a produzir iates Ferretti fora da Itália.
No mercado imobiliário, a cidade tem o 5º metro quadrado mais caro entre as 56 cidades monitoradas pelo FipeZAP: R$ 13.263 em junho de 2026, com alta de 4,85% em 12 meses, bem acima da média nacional de R$ 9.853. E um dado que diz muito sobre a região: quatro das cinco cidades mais caras do índice são catarinenses (Itapema, Balneário Camboriú, Florianópolis e Itajaí).
A leitura da Orla Prime
A retomada de Itajaí traz três lições para quem investe no litoral:
- Cidade com motor econômico é diferente de cidade de veraneio. Itajaí tem porto, pesca e indústria náutica gerando emprego e renda o ano inteiro. Quando esse motor acelera, o mercado imobiliário sente junto, e não depende só da temporada.
- Recuperação é mais confiável que promessa. A cidade não está anunciando um futuro: está mostrando contêiner movimentado, navio atracado e obra de pé. Números de retomada valem mais que projeções de folder.
- A orla fluvial é o próximo capítulo. Marina, shopping, terminal de cruzeiros e acessos novos estão reorganizando a relação da cidade com o rio. Onde a infraestrutura chega primeiro, o valor costuma seguir.
Itajaí é a prova de que, no litoral catarinense, o que sustenta preço no longo prazo não é só a praia: é a economia que funciona atrás dela. Acompanhar de perto quem tem esse motor, e em que momento do ciclo ele está, é exatamente o trabalho da Bússola Orla Prime.
Perguntas frequentes
Itajaí é a cidade mais rica de Santa Catarina?
Hoje é a segunda. Segundo o PIB dos Municípios do IBGE (ano-base 2023, divulgado no fim de 2025), Joinville lidera com R$ 49,8 bilhões e Itajaí vem logo atrás com R$ 48,2 bilhões, ambas entre as 30 maiores economias do Brasil. Itajaí ocupava o primeiro lugar com os dados de 2022 e recuou justamente no ano em que seus terminais de contêineres pararam, o que explica a queda e também o tamanho da retomada atual.
O porto de Itajaí voltou a operar?
Sim, e crescendo. A movimentação de contêineres foi retomada em outubro de 2024, com a JBS Terminais assumindo a operação. Em 2025, o porto movimentou 384,4 mil contêineres, e nos primeiros meses de 2026 o crescimento foi de cerca de 40% na comparação com o ano anterior. Está em curso também o processo do arrendamento definitivo, com projeto de R$ 2,8 bilhões em investimentos.
O que é o Boulevard Marina Itajaí?
É um complexo de compras e lazer construído dentro da Marina Itajaí, na Baía Afonso Wippel, tocado pela incorporadora ABecker. As obras começaram em novembro de 2024 e a entrega está prevista para o verão de 2026/2027. Segundo a incorporadora, é o primeiro shopping em marina do Brasil, e faz parte do movimento de requalificação da orla fluvial da cidade.
Vale a pena investir em Itajaí?
Itajaí tem o 5º metro quadrado mais caro entre as 56 cidades monitoradas pelo FipeZAP (R$ 13.263 em junho de 2026, com alta de 4,85% em 12 meses, contra uma média nacional de R$ 9.853). O que chama atenção é o momento: a cidade combina uma base econômica real (porto, pesca, náutica) que está em recuperação com obras de infraestrutura em andamento. É um mercado de fundamento econômico, e não apenas de veraneio.
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