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O mercado que não sente os juros: por que Itapema e Porto Belo batem recorde vendendo sem banco

Com a Selic a 15% e o crédito imobiliário travado no país, Itapema e Porto Belo venderam juntas quase R$ 8 bilhões em 2025. O motivo está em quem compra e em como paga: o dinheiro do agro, direto com a construtora, atrelado à safra.

Gabriel Saraiva · Sócio Expansão Habitz 04 de julho de 2026 7 min de leitura
Vista aérea de campos de plantação que se transformam em uma cidade de arranha-céus à beira-mar ao pôr do sol

Imagem ilustrativa gerada por IA

Em 2025, o Brasil viveu um dos piores anos para quem depende de financiamento imobiliário: a Selic a 15% encareceu o crédito e travou boa parte das vendas no país. No litoral norte de Santa Catarina, aconteceu o contrário. Itapema vendeu R$ 4,1 bilhões em imóveis e Porto Belo, R$ 3,8 bilhões (DWV), recordes que colocaram as duas cidades no topo do ranking nacional. Quase R$ 8 bilhões, num ano de juros nas alturas.

Como duas cidades pequenas conseguiram nadar contra a maré do crédito? A resposta está em quem compra ali, e em como essa pessoa paga.

Um mercado que quase não passa pelo banco

O segredo é simples e pouco falado: no alto padrão de Itapema e Porto Belo, a maior parte da compra não envolve financiamento bancário. As construtoras vendem com parcelamento direto, em planos longos, e o comprador quita ao longo do tempo, sem passar pela aprovação de crédito nem pagar os juros de um banco.

Vista aérea da orla de Itapema, com o paredão de arranha-céus à beira-mar O mercado de alto padrão de Itapema seguiu vendendo mesmo com a Selic a 15%. Imagem ilustrativa gerada por IA.

Quem explica o mecanismo é o próprio setor. Segundo o Sinduscon da Costa Esmeralda, os planos chegam a 140 parcelas atreladas ao ciclo da safra. Nas palavras do presidente da entidade, Rodrigo Passos Silva, a força do mercado está em “poder fazer os negócios e pagar com o valor que entra na safra, sem precisar envolver bancos, nem financiamentos” (ND Mais, 2025). É por isso que a taxa de juros, que define o ritmo do mercado no resto do país, quase não move o ponteiro por aqui.

De onde vem o dinheiro: a safra vira apartamento

Se o comprador não depende de banco, é porque ele chega com capital próprio. E, em grande medida, esse capital vem do campo. Levantamentos do setor citados pela imprensa (FipeZAP e Sinduscon, via Gazeta do Povo e ND Mais) apontam que cerca de 70% dos investidores de alto padrão em Itapema têm ligação com o agronegócio.

São produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, historicamente compradores de segunda moradia no Sul, que agora transferem parte do lucro da safra para ativos imobiliários no litoral. E o combustível é forte: o PIB do agronegócio cresceu 6,49% no primeiro trimestre de 2025 (CNA), sobre uma safra recorde (Conab). A soja do Centro-Oeste, literalmente, vira apartamento à beira-mar, o mesmo motor que já move o luxo de Balneário Camboriú.

Por que isso é uma força, e não um detalhe

Um mercado que não roda a crédito tem uma vantagem que fica evidente justamente nos momentos ruins:

  • Ele não trava quando o crédito encarece. Enquanto as vendas caem no Brasil a cada alta da Selic, Itapema e Porto Belo seguem batendo recorde. Para quem investe, isso significa um mercado mais previsível, menos refém do ciclo de juros.
  • A demanda tem lastro. O comprador não é um especulador alavancado; é um produtor com capital próprio, ligado a um dos setores mais sólidos da economia brasileira. Demanda com dinheiro na mão sustenta preço.
  • Você também não precisa do banco. O mesmo parcelamento direto que atrai o agro está disponível para qualquer investidor. É a chance de entrar no mercado mais valorizado do litoral sem depender de aprovação de crédito nem de juros bancários.

A leitura da Habitz

O que os números contam é a história de um mercado com fundamento incomum. Itapema e Porto Belo não subiram apesar dos juros; elas subiram porque estão, em boa medida, fora do jogo dos juros. É um mercado abastecido por capital próprio, ligado a um setor forte, num trecho de litoral de oferta limitada, entre o mar e a BR-101.

Para o investidor, a leitura é direta: aqui, a pergunta “e se os juros subirem?” pesa menos do que em quase qualquer outro lugar do Brasil. O que continua pesando é a escolha certa, o produto, a fase e a localização que transformam um bom mercado num bom negócio. E é esse mapa que a Bússola Habitz ajuda a ler, com dado e sem folder.

Perguntas frequentes

Por que Itapema e Porto Belo venderam tanto imóvel mesmo com os juros altos?

Porque boa parte da compra de alto padrão nessas cidades não passa por banco. O comprador, em grande medida ligado ao agronegócio, paga direto com a construtora, em planos longos (de até 140 parcelas, segundo o Sinduscon da Costa Esmeralda) atrelados ao ciclo da safra. Isso torna o mercado local muito menos sensível à Selic do que o crédito imobiliário tradicional.

Quem compra imóvel de luxo em Itapema?

Segundo levantamentos do setor citados pela imprensa (FipeZAP e Sinduscon, via Gazeta do Povo e ND Mais, 2025), cerca de 70% dos investidores de alto padrão em Itapema têm ligação com o agronegócio, muitos vindos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. O produtor rural, tradicional comprador de segunda moradia no Sul, migra parte do lucro da safra para ativos imobiliários no litoral.

Dá para comprar imóvel no litoral de SC sem financiamento bancário?

Sim, e é a forma predominante no alto padrão da região. As construtoras oferecem parcelamento direto, muitas vezes em prazos longos, o que dispensa a aprovação de crédito em banco e o custo dos juros bancários. Para quem investe, é um dos atrativos do mercado: não depender do crédito nem do humor da taxa de juros.

Esse modelo torna o investimento mais seguro?

Ajuda a explicar a resiliência do mercado. Um mercado que não depende de financiamento não trava quando o crédito encarece, ao contrário do que acontece na maior parte do Brasil. A demanda vem de um comprador com capital próprio e ligado a um setor forte, o que dá lastro à valorização. Como sempre, o retorno depende de escolher bem o produto, a fase e a localização.

Fontes consultadas

  • DWV / ND Mais: VGV de vendas 2025 de Itapema (R$ 4,1 bi) e Porto Belo (R$ 3,8 bi)
  • Gazeta do Povo (jul/2025): agronegócio e o mercado de luxo de Itapema (~70% dos compradores)
  • ND Mais (jul/2025): Sinduscon Costa Esmeralda sobre pagamento atrelado à safra, sem banco
  • CNA e Conab: PIB do agronegócio e safra 2025/2026

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