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Miami, Punta del Este e o litoral de SC: por que o longo prazo joga a favor de Porto Belo

Quem ganha em dólar e pensa em comprar à beira-mar hoje compara três destinos: Miami, Punta del Este e o litoral catarinense. Um comparativo honesto de preço, custo de manter, segurança e curva de valorização, e por que Porto Belo e Itapema são a aposta de longo prazo.

Gabriel Saraiva · Sócio Expansão Habitz 06 de julho de 2026 8 min de leitura
Sala de estar de um apartamento de alto padrão à beira-mar, com janelas do piso ao teto emoldurando uma baía calma ao amanhecer

Imagem ilustrativa gerada por IA

Um brasileiro que mora em Orlando, ganha em dólar e quer comprar um imóvel à beira-mar tem, na prática, três destinos na cabeça: Miami, ali do lado; Punta del Este, o clássico da América do Sul; e o litoral de Santa Catarina, de onde muita gente saiu. A pergunta não é qual é o mais bonito. É qual faz mais sentido para quem pensa em longo prazo.

Miami e Punta são mercados consolidados, líquidos e cheios de prestígio. Ninguém precisa vender o litoral catarinense mentindo sobre isso. Mas quando se colocam os quatro números que realmente importam lado a lado, preço de entrada, custo de manter, curva de valorização e qualidade de vida, o mapa muda. E ele favorece Porto Belo e Itapema justamente no prazo mais longo.

O preço de entrada não se compara

Comece pelo mais objetivo: quanto custa o metro quadrado. Convertendo tudo para dólar (câmbio de cerca de R$ 5,13 por dólar, início de julho de 2026):

Praçam² à beira-mar (US$)
Itapema (SC), média da cidade~US$ 3.000/m²
Punta del Este (UY)US$ 2.500 a 10.000/m²
Miami (EUA), alto padrão~US$ 11.000/m²
Miami Beach, luxo~US$ 13.900/m²

O metro quadrado de luxo à beira-mar em Miami custa de 3 a 4,5 vezes o m² médio de Itapema, a cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil. Em Punta, o topo de linha custa cerca de três vezes o de Itapema. A leitura honesta aqui não é que o imóvel catarinense “vale mais” que o de Miami: é que ele entrega uma vida à beira-mar parecida por uma fração do capital imobilizado.

Miami já subiu. O litoral de SC está começando.

Preço baixo só interessa se houver espaço para crescer. E é aqui que a maturidade de Miami vira desvantagem para quem entra agora.

Miami teve o seu grande salto: as casas valorizaram cerca de 77% desde a pandemia. Só que esse ciclo arrefeceu. Em 2025, a mediana dos condomínios de Miami-Dade recuou quase 10% em 12 meses, e o mercado virou de comprador, com estoque alto (Miami Association of Realtors). O grande dinheiro fácil de Miami já foi feito.

Itapema, por outro lado, valorizou cerca de 5,4% nos últimos 12 meses (FipeZAP, junho de 2026) de forma consistente, e Porto Belo foi a cidade que mais vendeu imóvel em número de unidades no ranking DWV de 2025. É um mercado ainda em construção da sua curva, não no fim dela. Quem compra em Miami hoje entra num ativo maduro; quem compra no litoral de SC entra mais cedo.

Sala de estar de alto padrão com vista para uma baía calma no litoral de Santa Catarina A tese do litoral catarinense é de ganho de capital de longo prazo, com o preço de entrada bem abaixo de Miami. Imagem ilustrativa gerada por IA.

O custo que quase ninguém coloca na conta

O preço de compra é só metade da história. A outra metade é quanto custa manter o imóvel todo ano, e é aqui que a Flórida cobra caro.

Quem tem imóvel na Flórida convive com três custos que se acumulam:

  • Property tax de cerca de 2% do valor por ano. Um apartamento de US$ 800 mil paga por volta de US$ 16 mil de imposto anual, todo ano.
  • Seguro residencial na casa de US$ 6 mil por ano, quase quatro vezes a média dos Estados Unidos, empurrado pelo risco de furacões (temporada de junho a novembro).
  • Cobranças extraordinárias pós-Surfside. Depois do colapso do prédio em 2021, novas leis obrigam reservas e inspeções estruturais, e prédios costeiros passaram a receber special assessments de US$ 10 mil a mais de US$ 100 mil por unidade (Florida Phoenix, Urban Land Institute).

No litoral de Santa Catarina, esse peso praticamente não existe. Não há property tax anual no patamar americano, não há crise de seguro obrigatório, não há taxa estrutural imposta por lei. O IPTU municipal é uma fração disso. Para quem carrega o imóvel por anos, essa diferença de custo de manutenção se acumula e muda o retorno real do investimento.

Punta del Este é linda. Mas só no verão.

Punta merece o respeito de mercado consolidado e seguro que tem. O detalhe que o folder não conta é a sazonalidade: de dezembro a março, a cidade ferve; de abril a novembro, boa parte dela fica praticamente deserta, com o inverno na faixa dos 7 a 17 graus. Um imóvel que serve de verdade por três ou quatro meses no ano é um ativo diferente de um imóvel que se usa e se aluga o ano inteiro.

O litoral de SC vive o ano todo. Tem alta temporada forte no verão, mas também tem economia, serviços e vida urbana nos outros meses, o que sustenta o uso próprio e a locação fora do pico.

O que o preço não mostra: segurança e qualidade de vida

Para quem compra pensando também em morar, ou em ter um porto seguro no Brasil, entra a variável que nenhum ranking de m² captura.

Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil, com a menor taxa de homicídios do país, cerca de 9 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2025 (IPEA). É também o 3º maior IDH do Brasil (0,833, IBGE), atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo. É um litoral de alto padrão que combina praia, infraestrutura e um dos ambientes mais seguros e bem avaliados do país.

O câmbio joga a favor de quem ganha lá fora

Por fim, a conta que fecha o argumento para o nosso público. Com o dólar em torno de R$ 5,13 e o euro perto de R$ 5,90 (julho de 2026), quem tem renda em moeda forte multiplica o poder de compra em reais. Um imóvel de R$ 1 milhão sai por cerca de US$ 195 mil ou € 170 mil. Não é à toa que, como aponta a imprensa do setor, brasileiros que vivem nos Estados Unidos, com renda em dólar e vínculo afetivo com a região, passaram a olhar o litoral catarinense como destino de investimento.

A leitura da Habitz

Comparar o litoral de SC com Miami e Punta del Este não serve para dizer que um é bom e o outro é ruim. Serve para enxergar onde cada perfil ganha:

  • Miami e Punta são o presente já precificado. Mercados maduros, prestigiados e líquidos, mas caros para comprar, caros para manter e num ponto mais avançado (ou mais lento) da curva.
  • O litoral de SC é o longo prazo com espaço. Preço de entrada de 3 a 4 vezes menor, custo de manter estruturalmente mais baixo, uso o ano inteiro e a segurança do estado mais seguro do Brasil.
  • Para quem ganha em dólar, a janela é dupla. O câmbio favorável e o preço em real transformam o mesmo capital em muito mais metro quadrado à beira-mar aqui do que lá fora.

É por isso que Porto Belo e Itapema deixaram de ser só “a praia de onde a família saiu” e viraram destino de investimento para o brasileiro no exterior. Não pela promessa de ficar como Miami, mas por oferecer o que Miami já não oferece a quem chega agora: preço de entrada, espaço de valorização e qualidade de vida no mesmo lugar. Separar o hype do fundamento nessa comparação é o trabalho da Bússola Habitz.

Perguntas frequentes

Investir em Porto Belo ou em Miami: qual compensa mais no longo prazo?

Depende do momento da curva. Miami é um mercado maduro: teve um grande salto pós-pandemia (casas subiram cerca de 77%) e agora desacelerou, com a mediana de condomínios recuando quase 10% em 12 meses. O litoral de SC está mais no início dessa curva, com valorização anual sólida e preço de entrada muito menor. Para quem pensa em longo prazo e quer espaço de valorização, o litoral catarinense oferece um ponto de entrada mais cedo, por uma fração do preço de Miami.

Por que o imóvel na Flórida custa caro para manter?

Por três motivos que se somam: o property tax anual gira em torno de 2% do valor do imóvel; o seguro residencial na Flórida chega a cerca de US$ 6 mil por ano, quase quatro vezes a média dos Estados Unidos, por causa do risco de furacões; e, depois do colapso do prédio de Surfside em 2021, novas leis obrigam reservas e inspeções que geraram cobranças extraordinárias (special assessments) de US$ 10 mil a mais de US$ 100 mil por unidade em prédios costeiros. No litoral de SC, esse custo de manter é estruturalmente muito menor.

O litoral de Santa Catarina é seguro para quem mora fora?

Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil, com a menor taxa de homicídios do país (cerca de 9 por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2025 do IPEA), e tem o 3º maior IDH do Brasil. Para quem compra de longe e quer um imóvel para usar, alugar ou se mudar, a segurança e a qualidade de vida da região são um diferencial real frente a outras praças litorâneas.

Vale a pena comprar imóvel no Brasil ganhando em dólar?

O câmbio joga a favor. Com o dólar na casa dos R$ 5, quem tem renda em dólar ou euro multiplica o poder de compra em reais: um imóvel de R$ 1 milhão sai por cerca de US$ 195 mil. Somando o câmbio favorável, o preço do m² muito abaixo de Miami e o baixo custo de manter, o litoral de SC fica atraente justamente para o brasileiro que vive no exterior.

Fontes consultadas

  • FipeZAP (ref. junho/2026): preço do m² residencial de Itapema
  • Miami Association of Realtors, CondoBlackBook: preço e volume do mercado de Miami (2025)
  • Florida Phoenix, Urban Land Institute, NPR: custo de seguro e assessments pós-Surfside na Flórida
  • Atlas da Violência 2025 (IPEA) e IBGE: segurança e IDH de Santa Catarina
  • Investing.com / Banco Central: câmbio USD/BRL (julho/2026)

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