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Balneário Camboriú vai redesenhar a Avenida Brasil e transformar os Pontais em parques

A prefeita Juliana Pavan e o Instituto +BC assinam nesta terça os comitês que vão conduzir a requalificação da Avenida Brasil e a reestruturação dos Pontais Norte e Sul, com mais de R$ 5 milhões em estudos bancados pela iniciativa privada. A cidade mira o próprio cartão-postal.

Gabriel Saraiva · Sócio Expansão Habitz 26 de julho de 2026 7 min de leitura
Parque público arborizado à beira-mar na ponta da praia central de Balneário Camboriú, com caminhos, pessoas e o skyline de torres ao fundo, ao entardecer

Imagem ilustrativa gerada por IA

Depois de investir na areia da praia e nas vias de mobilidade, Balneário Camboriú vai mirar o próprio cartão-postal. A prefeita Juliana Pavan e o Instituto +BC assinam nesta terça, 28 de julho, a criação dos comitês que vão conduzir a requalificação da Avenida Brasil e a reestruturação dos Pontais Norte e Sul, com mais de R$ 5 milhões em estudos pagos pela iniciativa privada.

Para quem investe, o recado é sobre cuidado com o ativo. A cidade mais verticalizada do litoral está começando a redesenhar os espaços que dão a ela cara de cidade, e não apenas de fileira de torres.

O que será assinado

O ato de 28 de julho cria comitês extraordinários que reúnem equipe técnica da prefeitura, especialistas e representantes da iniciativa privada para desenvolver as propostas. À frente do lado privado estão Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC, e a gestora técnica Stéphane Domeneghini.

O ponto que o leitor precisa entender é o estágio: isto é a fase de estudos e projetos, não o início da obra. Não há, por enquanto, valor de obra, prazo ou cronograma de execução. O que existe é o compromisso de desenhar, com R$ 5 milhões privados, o que a cidade quer construir depois.

A Avenida Brasil: o “shopping a céu aberto”

A Avenida Brasil é a principal via comercial de Balneário Camboriú, paralela à beira-mar e a cerca de 350 metros da orla, ao longo de aproximadamente 4,5 km. É por ela que a cidade faz comércio, e hoje ela carrega os vícios de quem cresceu rápido: excesso de placas, fiação aérea e um espaço mal dividido entre carro, bike e pedestre.

O estudo vai propor uma avenida mais organizada. O escopo previsto:

Requalificação da Avenida Brasil (o que os estudos vão propor)
FiaçãoSolução para a fiação aérea (rumo ao subterrâneo)
Comunicação visualPadronização de placas, fim da poluição visual
MobilidadeRedistribuição do espaço entre veículos, ciclistas e pedestres
Paisagismo e acessibilidadeMais verde, calçadas acessíveis
Base técnicaLevantamento de topografia e das redes de água e esgoto

Ilustração de como uma avenida comercial requalificada pode ficar: bulevar arborizado, sem fiação aérea, com calçadas largas e ciclovia

Imagem ilustrativa (gerada por IA) do conceito de um bulevar urbano requalificado, sem fiação aérea e com espaço redistribuído entre pedestres, ciclistas e carros.

Os Pontais viram parques

A parte mais ambiciosa está nas pontas. Os Pontais Norte e Sul, os dois extremos da Praia Central, devem ser transformados em grandes parques públicos, ampliando a integração entre a orla e a cidade. As ideias em estudo:

Reestruturação dos Pontais (proposta em estudo)
EstacionamentoCerca de 1.000 vagas subterrâneas em cada pontal
Superfície~80% para áreas verdes e lazer
Uso comercialAté 20% para quiosques, restaurantes e lojas
Pontal SulEstudo de estrutura de contenção contra a erosão

Tirar o carro de cima e devolver a ponta da praia como parque é o tipo de intervenção que muda a experiência de uma orla inteira. É o que grandes cidades litorâneas do mundo fizeram com suas frentes de mar.

O modelo por trás: quem paga a conta

Nada disso sai do caixa público. O Instituto +BC é uma entidade de cerca de 40 empresas de empresários locais que já colocou mais de R$ 10 milhões em projetos estratégicos da cidade, sem receber recursos públicos. A lógica é simples e já rendeu resultado: o privado financia o estudo técnico, entrega pronto à prefeitura, e o poder público ganha tempo e qualidade para licenciar e executar.

Esse é o mesmo modelo que já noticiamos aqui, os empresários que colocam milhões na mesa para destravar obras. Foi assim com os estudos do alargamento da Praia Central, com o projeto de revitalização da orla e com a documentação do parque inundável, que ajudou a cidade a habilitar recursos de segurança hídrica. Como resume o próprio presidente do instituto, obra costuma atrasar ou virar disputa judicial quando começa com projeto incompleto. Aqui, o projeto vem antes.

Por que isso importa para o mercado

Balneário Camboriú é hoje o 2º metro quadrado mais caro do Brasil (FipeZAP, referência de junho de 2026), logo atrás de Itapema, que assumiu a ponta que BC ocupava desde 2022. Quando uma cidade chega a esse patamar de preço, o jogo deixa de ser só construir mais alto: passa a ser defender e qualificar o que sustenta o valor.

E o que sustenta o valor de BC é a experiência da orla central: a praia larga, o comércio da Avenida Brasil, as pontas da praia. Requalificar exatamente esses espaços é cuidar do produto que faz o m² valer o que vale. Não se trata de prometer um percentual de valorização, nenhum estudo independente crava isso, e sim de ler o fundamento: cidade que cuida do próprio cartão-postal protege o preço que já conquistou.

A leitura da Habitz

O redesenho da Avenida Brasil e dos Pontais é uma notícia de urbanismo com recado de mercado:

  • Maturidade, não só altura. BC está saindo da fase de “empilhar torres” para a de qualificar o espaço público. É o movimento típico de uma cidade que amadureceu e precisa defender o patamar de preço que atingiu.
  • O dinheiro vem do próprio mercado. R$ 5 milhões de estudos privados, via Instituto +BC, é a mesma aposta que já entregou o alargamento da praia e a revitalização da orla. Quando o empresariado paga para projetar o futuro da cidade, está sinalizando confiança no ativo.
  • É projeto, ainda não é obra. O honesto é dizer: o que se assina agora são os comitês e os estudos. A obra, o valor e o prazo virão depois. Mas o passo que destrava tudo, o projeto bem-feito, é justamente o que está sendo dado.

Quando uma cidade decide cuidar do próprio cartão-postal, ela está dizendo que pretende continuar valendo o que vale. Ler esse tipo de movimento, e separar o fundamento real da promessa de quem vende, é o trabalho da Bússola Habitz.

Perguntas frequentes

O que Balneário Camboriú vai fazer na Avenida Brasil e nos Pontais?

A prefeitura de Balneário Camboriú e o Instituto +BC vão assinar, em 28 de julho de 2026, a criação de comitês extraordinários responsáveis por conduzir dois projetos: a requalificação da Avenida Brasil (a principal via comercial da cidade, ao longo de cerca de 4,5 km) e a reestruturação dos Pontais Norte e Sul, as pontas da Praia Central, com a ideia de transformá-los em grandes parques públicos. É a fase de estudos e projetos, com investimento superior a R$ 5 milhões bancado pela iniciativa privada.

Quem paga pelos estudos?

O Instituto +BC, uma entidade formada por cerca de 40 empresas de empresários locais, sem uso de recursos públicos. O instituto financia os estudos técnicos e entrega o material pronto à prefeitura, que fica responsável pela análise, aprovação e futura execução. É o mesmo modelo que já bancou os estudos do alargamento da Praia Central e a documentação de outros projetos estratégicos da cidade.

As obras já vão começar?

Ainda não. O que será assinado em 28 de julho é a criação dos comitês que vão desenvolver os projetos. Nesta etapa não há valor de obra, prazo ou cronograma de execução definidos: trata-se da fase de estudos e projetos. A obra em si dependerá da análise e aprovação da prefeitura, em um momento seguinte.

O que os estudos preveem para os Pontais?

A proposta em estudo é transformar o Pontal Norte e o Pontal Sul, as pontas da Praia Central, em grandes parques públicos. Entre as ideias estão cerca de mil vagas de estacionamento subterrâneo em cada pontal, com a superfície dedicada majoritariamente a áreas verdes e de lazer (cerca de 80%) e uma parcela menor a quiosques, restaurantes e lojas (até 20%). No Pontal Sul, estuda-se ainda uma estrutura de contenção contra a erosão.

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