Balneário Camboriú vai redesenhar a Avenida Brasil e transformar os Pontais em parques
A prefeita Juliana Pavan e o Instituto +BC assinam nesta terça os comitês que vão conduzir a requalificação da Avenida Brasil e a reestruturação dos Pontais Norte e Sul, com mais de R$ 5 milhões em estudos bancados pela iniciativa privada. A cidade mira o próprio cartão-postal.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Depois de investir na areia da praia e nas vias de mobilidade, Balneário Camboriú vai mirar o próprio cartão-postal. A prefeita Juliana Pavan e o Instituto +BC assinam nesta terça, 28 de julho, a criação dos comitês que vão conduzir a requalificação da Avenida Brasil e a reestruturação dos Pontais Norte e Sul, com mais de R$ 5 milhões em estudos pagos pela iniciativa privada.
Para quem investe, o recado é sobre cuidado com o ativo. A cidade mais verticalizada do litoral está começando a redesenhar os espaços que dão a ela cara de cidade, e não apenas de fileira de torres.
O que será assinado
O ato de 28 de julho cria comitês extraordinários que reúnem equipe técnica da prefeitura, especialistas e representantes da iniciativa privada para desenvolver as propostas. À frente do lado privado estão Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC, e a gestora técnica Stéphane Domeneghini.
O ponto que o leitor precisa entender é o estágio: isto é a fase de estudos e projetos, não o início da obra. Não há, por enquanto, valor de obra, prazo ou cronograma de execução. O que existe é o compromisso de desenhar, com R$ 5 milhões privados, o que a cidade quer construir depois.
A Avenida Brasil: o “shopping a céu aberto”
A Avenida Brasil é a principal via comercial de Balneário Camboriú, paralela à beira-mar e a cerca de 350 metros da orla, ao longo de aproximadamente 4,5 km. É por ela que a cidade faz comércio, e hoje ela carrega os vícios de quem cresceu rápido: excesso de placas, fiação aérea e um espaço mal dividido entre carro, bike e pedestre.
O estudo vai propor uma avenida mais organizada. O escopo previsto:
| Requalificação da Avenida Brasil (o que os estudos vão propor) | |
|---|---|
| Fiação | Solução para a fiação aérea (rumo ao subterrâneo) |
| Comunicação visual | Padronização de placas, fim da poluição visual |
| Mobilidade | Redistribuição do espaço entre veículos, ciclistas e pedestres |
| Paisagismo e acessibilidade | Mais verde, calçadas acessíveis |
| Base técnica | Levantamento de topografia e das redes de água e esgoto |

Imagem ilustrativa (gerada por IA) do conceito de um bulevar urbano requalificado, sem fiação aérea e com espaço redistribuído entre pedestres, ciclistas e carros.
Os Pontais viram parques
A parte mais ambiciosa está nas pontas. Os Pontais Norte e Sul, os dois extremos da Praia Central, devem ser transformados em grandes parques públicos, ampliando a integração entre a orla e a cidade. As ideias em estudo:
| Reestruturação dos Pontais (proposta em estudo) | |
|---|---|
| Estacionamento | Cerca de 1.000 vagas subterrâneas em cada pontal |
| Superfície | ~80% para áreas verdes e lazer |
| Uso comercial | Até 20% para quiosques, restaurantes e lojas |
| Pontal Sul | Estudo de estrutura de contenção contra a erosão |
Tirar o carro de cima e devolver a ponta da praia como parque é o tipo de intervenção que muda a experiência de uma orla inteira. É o que grandes cidades litorâneas do mundo fizeram com suas frentes de mar.
O modelo por trás: quem paga a conta
Nada disso sai do caixa público. O Instituto +BC é uma entidade de cerca de 40 empresas de empresários locais que já colocou mais de R$ 10 milhões em projetos estratégicos da cidade, sem receber recursos públicos. A lógica é simples e já rendeu resultado: o privado financia o estudo técnico, entrega pronto à prefeitura, e o poder público ganha tempo e qualidade para licenciar e executar.
Esse é o mesmo modelo que já noticiamos aqui, os empresários que colocam milhões na mesa para destravar obras. Foi assim com os estudos do alargamento da Praia Central, com o projeto de revitalização da orla e com a documentação do parque inundável, que ajudou a cidade a habilitar recursos de segurança hídrica. Como resume o próprio presidente do instituto, obra costuma atrasar ou virar disputa judicial quando começa com projeto incompleto. Aqui, o projeto vem antes.
Por que isso importa para o mercado
Balneário Camboriú é hoje o 2º metro quadrado mais caro do Brasil (FipeZAP, referência de junho de 2026), logo atrás de Itapema, que assumiu a ponta que BC ocupava desde 2022. Quando uma cidade chega a esse patamar de preço, o jogo deixa de ser só construir mais alto: passa a ser defender e qualificar o que sustenta o valor.
E o que sustenta o valor de BC é a experiência da orla central: a praia larga, o comércio da Avenida Brasil, as pontas da praia. Requalificar exatamente esses espaços é cuidar do produto que faz o m² valer o que vale. Não se trata de prometer um percentual de valorização, nenhum estudo independente crava isso, e sim de ler o fundamento: cidade que cuida do próprio cartão-postal protege o preço que já conquistou.
A leitura da Habitz
O redesenho da Avenida Brasil e dos Pontais é uma notícia de urbanismo com recado de mercado:
- Maturidade, não só altura. BC está saindo da fase de “empilhar torres” para a de qualificar o espaço público. É o movimento típico de uma cidade que amadureceu e precisa defender o patamar de preço que atingiu.
- O dinheiro vem do próprio mercado. R$ 5 milhões de estudos privados, via Instituto +BC, é a mesma aposta que já entregou o alargamento da praia e a revitalização da orla. Quando o empresariado paga para projetar o futuro da cidade, está sinalizando confiança no ativo.
- É projeto, ainda não é obra. O honesto é dizer: o que se assina agora são os comitês e os estudos. A obra, o valor e o prazo virão depois. Mas o passo que destrava tudo, o projeto bem-feito, é justamente o que está sendo dado.
Quando uma cidade decide cuidar do próprio cartão-postal, ela está dizendo que pretende continuar valendo o que vale. Ler esse tipo de movimento, e separar o fundamento real da promessa de quem vende, é o trabalho da Bússola Habitz.
Perguntas frequentes
O que Balneário Camboriú vai fazer na Avenida Brasil e nos Pontais?
A prefeitura de Balneário Camboriú e o Instituto +BC vão assinar, em 28 de julho de 2026, a criação de comitês extraordinários responsáveis por conduzir dois projetos: a requalificação da Avenida Brasil (a principal via comercial da cidade, ao longo de cerca de 4,5 km) e a reestruturação dos Pontais Norte e Sul, as pontas da Praia Central, com a ideia de transformá-los em grandes parques públicos. É a fase de estudos e projetos, com investimento superior a R$ 5 milhões bancado pela iniciativa privada.
Quem paga pelos estudos?
O Instituto +BC, uma entidade formada por cerca de 40 empresas de empresários locais, sem uso de recursos públicos. O instituto financia os estudos técnicos e entrega o material pronto à prefeitura, que fica responsável pela análise, aprovação e futura execução. É o mesmo modelo que já bancou os estudos do alargamento da Praia Central e a documentação de outros projetos estratégicos da cidade.
As obras já vão começar?
Ainda não. O que será assinado em 28 de julho é a criação dos comitês que vão desenvolver os projetos. Nesta etapa não há valor de obra, prazo ou cronograma de execução definidos: trata-se da fase de estudos e projetos. A obra em si dependerá da análise e aprovação da prefeitura, em um momento seguinte.
O que os estudos preveem para os Pontais?
A proposta em estudo é transformar o Pontal Norte e o Pontal Sul, as pontas da Praia Central, em grandes parques públicos. Entre as ideias estão cerca de mil vagas de estacionamento subterrâneo em cada pontal, com a superfície dedicada majoritariamente a áreas verdes e de lazer (cerca de 80%) e uma parcela menor a quiosques, restaurantes e lojas (até 20%). No Pontal Sul, estuda-se ainda uma estrutura de contenção contra a erosão.
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