A praia de Itapema vai ficar maior, e a de Porto Belo vem logo atrás: o que isso faz com o frente-mar
Itapema recebeu a licença para alargar a Meia Praia em até 60 metros, e Porto Belo está na reta final do mesmo caminho. Alargar a faixa de areia é proteção contra o mar, mas é também a alavanca mais direta de valorização do imóvel à beira-mar.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A orla do litoral norte de Santa Catarina está prestes a mudar de tamanho, literalmente. Itapema recebeu a licença ambiental para alargar a Meia Praia, e Porto Belo está na reta final do mesmo processo. Para quem investe em frente-mar nas duas cidades, isso é mais do que uma obra de engenharia: é uma das alavancas mais diretas de valorização que existem.
E não é teoria. Balneário Camboriú já rodou esse filme: em 2021, alargou a faixa de areia da Praia Central de 25 para 70 metros. O resto da história do metro quadrado de BC, o mercado conhece.
O que foi aprovado em Itapema
O governo do estado, pelo IMA, entregou a Licença Ambiental de Instalação (LAI) da obra de alargamento da Meia Praia, a etapa que efetivamente autoriza a execução. Os números:
| Item | Dado |
|---|---|
| Extensão | ~4,75 km de orla |
| Volume de sedimento | 416 mil a 498 mil m³ |
| Aumento da faixa | de 20 até 60 metros |
| Custo | ~R$ 60 milhões (município + estado) |
| Execução | ~4 meses, no 2º semestre de 2026 |
| Licença | LAI (Instalação), emitida pelo IMA |
O prefeito de Itapema, Alexandre Xepa, resumiu a ambição da cidade em uma frase: “Depois do alargamento, será o metro quadrado mais valorizado do Brasil.” E o pano de fundo dá peso a ela: Itapema já é a cidade do metro quadrado mais caro do país, e a Meia Praia é o seu endereço-âncora.
Porto Belo, logo atrás
Porto Belo está alguns passos atrás, mas no mesmo trilho. O licenciamento do alargamento da praia (no Balneário do Perequê) avançou depois de uma reunião, em maio de 2026, entre a ACIP (a associação de construtores e imobiliárias da cidade), a prefeitura e o IMA, com a expectativa de fechar a primeira fase do licenciamento e começar a obra ainda em 2026.
O detalhe que importa: quem conduz e financia o licenciamento é a ACIP, a mesma engrenagem privada que banca as obras da orla dentro da PPP de R$ 2 bilhões do masterplan de Porto Belo. Não é o poder público sozinho apostando: são as construtoras pagando para alargar a praia na frente dos próprios empreendimentos. Quando o incorporador financia a areia, ele está dizendo o quanto ela vale.
Por que praia maior é imóvel mais caro
A conta é mais direta do que parece. Alargar a faixa de areia faz duas coisas ao mesmo tempo, e as duas empurram o preço do frente-mar para cima:
- Reduz risco. Uma praia larga é uma barreira contra a erosão e o avanço do mar, o pesadelo de quem compra na primeira linha. Menos risco de orla é mais valor de orla.
- Aumenta o valor de uso. Mais areia é mais praia para usar, mais movimento, mais qualidade de quem mora e de quem aluga por temporada. O apartamento de frente para uma faixa de 60 metros vale mais do que o mesmo apartamento de frente para uma nesga de areia.
Foi exatamente esse o efeito-vitrine de Balneário Camboriú depois de 2021. Itapema e Porto Belo estão comprando o mesmo manual, nas duas cidades que mais nos interessam no litoral norte.
A leitura da Habitz
Alargar a praia é uma boa notícia para o frente-mar de Itapema e Porto Belo, e pede a leitura honesta de sempre:
- É proteção primeiro, valorização depois. A justificativa técnica da obra é defesa costeira contra erosão e elevação do nível do mar, e isso é o que sustenta a licença. A valorização é uma consequência, real, mas que se constrói ao longo do tempo, não no dia da inauguração.
- O que sustenta o preço é o fundamento. Mais do que a meta de virar “o m² mais valorizado do Brasil”, o que o investidor ganha é concreto: uma orla protegida, mais larga e mais qualificada, numa cidade que já lidera o metro quadrado do país. Quando o fundamento é esse, a ambição tem de onde sair.
- O tailwind é concreto e está nas nossas duas cidades-foco. Diferente de promessa de VGV para 2040, a faixa de areia de Itapema tem licença, prazo e orçamento, e a de Porto Belo está logo atrás. Para quem já olha frente-mar em Itapema ou Porto Belo, é um vento a favor que dá para datar.
Separar a obra com data do folder sem data é o trabalho da Bússola Habitz, com dado, sem promessa de retorno.
Perguntas frequentes
O que é o alargamento (engordamento) de praia?
É uma técnica de engenharia costeira (também chamada de 'alimentação artificial' de praia) que adiciona areia compatível ao perfil existente, ampliando a largura da faixa para recuperar áreas perdidas pela erosão e criar uma barreira natural contra a ação das ondas. Foi o que Balneário Camboriú fez na Praia Central em 2021, alargando a faixa de 25 para 70 metros.
Quando começa a obra da Meia Praia, em Itapema?
Itapema já recebeu do IMA a Licença Ambiental de Instalação (LAI), a etapa que autoriza a execução. A obra prevê cerca de 4,75 km de orla, 416 a 498 mil m³ de sedimento e um aumento médio da faixa de areia, com pico de até 60 metros. O custo é de aproximadamente R$ 60 milhões, dividido entre município e estado, e a execução deve ocorrer no segundo semestre de 2026, em cerca de quatro meses, com a meta de concluir antes do verão.
Porto Belo também vai alargar a praia?
Está no caminho. O licenciamento do alargamento da praia (Balneário do Perequê) avançou após reunião entre a ACIP (associação de construtores e imobiliárias de Porto Belo), a prefeitura e o IMA, em maio de 2026, com a expectativa de concluir a primeira fase do licenciamento e iniciar a obra ainda em 2026. O projeto é conduzido e financiado pela ACIP e se conecta às obras dos molhes e ao masterplan da orla.
Praia mais larga valoriza o imóvel à beira-mar?
Tende a valorizar, sim, por dois motivos: protege a orla da erosão e do avanço do mar (reduz risco) e amplia o espaço de praia e a qualidade do uso (aumenta o valor de uso e a atratividade). É um dos fatores que o próprio mercado associa à valorização do frente-mar. Mas é direção, não garantia automática: o efeito é gradual e se soma a localização, produto e ciclo de mercado.
Fontes consultadas
- IMA (Instituto do Meio Ambiente de SC): entrega da Licença Ambiental de Instalação para o alargamento da Meia Praia, Itapema (07/mai/2026)
- ND Mais: avanço do licenciamento do alargamento da praia de Porto Belo, reunião ACIP/prefeitura/IMA (21/mai/2026)
- Governo de SC / NSC Total: cronograma e custo da obra de Meia Praia
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