Mais de R$ 13 bilhões em obras: o ciclo de infraestrutura que está reprecificando o litoral norte de SC
Porto de Itajaí, túnel submarino, Beto Carrero, o bairro-parque de Porto Belo e o megaprojeto de Neymar: o litoral norte concentra um dos maiores pacotes de obras e capital do país, e é isso que move o preço dos imóveis.
Foto: Fons Heijnsbroek / Wikimedia Commons (CC0)
Quando se fala em valorização imobiliária no litoral norte de Santa Catarina, é comum atribuir tudo à “escassez de terreno” ou ao “metro quadrado mais caro do Brasil”. Mas há um motor mais concreto por trás do preço, e ele tem número: a região concentra, somados, mais de R$ 13 bilhões em obras de infraestrutura anunciadas ou em andamento.
Não é uma cidade investindo. É um trecho inteiro de litoral sendo reconstruído ao mesmo tempo, e infraestrutura, historicamente, é o que antecede o salto de preço.
O pacote de obras, em uma tabela
| Obra | Cidade | Investimento | Situação |
|---|---|---|---|
| Indústria naval (contratos da Petrobras) | Itajaí / Navegantes | ~R$ 7 bilhões | Em contratação |
| Arrendamento do Porto de Itajaí | Itajaí | R$ 2,8 bilhões | Leilão previsto para 2026 |
| Beto Carrero World (expansão) | Penha | R$ 2 bilhões | Anunciada |
| Túnel imerso Itajaí–Navegantes | Itajaí / Navegantes | ~R$ 1 bilhão | Obras de 2028 a 2032 |
| Marina / Boulevard Itajaí | Itajaí | R$ 100 milhões | 1ª fase |
| Alargamento da Meia Praia | Itapema | R$ 60 milhões | Obras a partir de ago/2026 |
| It!Wheel (roda-gigante) | Itapema | R$ 50 milhões | Inauguração no 2º sem/2026 |
| Molhes/orla do Perequê (PPP, outorga onerosa) | Porto Belo | R$ 13 milhões | 1ª etapa entregue |
Some tudo e o número passa de R$ 13 bilhões, concentrados em poucos quilômetros de costa. Vamos aos destaques.
O porto que vai a leilão (Itajaí)
A maior notícia recente é o arrendamento do Porto de Itajaí. O Ministério de Portos e Aeroportos aprovou os estudos finais e o leilão está previsto para 2026, com investimento contratual de R$ 2,8 bilhões, incluindo um novo terminal de contêineres e ampliação de cerca de 90% nas áreas de pátio.
E o porto não está sozinho. O maior item isolado de todo o pacote é a indústria naval: os estaleiros de Itajaí e Navegantes fecharam cerca de R$ 7 bilhões em contratos da Petrobras para construir 16 embarcações (parte financiada pelo BNDES), com estimativa de aproximadamente 15 mil empregos. Porto e estaleiros que crescem significam emprego, serviços e demanda habitacional o ano inteiro, exatamente o que sustenta o mercado de Itajaí e Navegantes, que não depende só do verão.
O túnel que liga as duas margens (Itajaí–Navegantes)
O túnel imerso Itajaí–Navegantes será um dos primeiros túneis submersos do Brasil. O túnel em si é estimado em cerca de R$ 1 bilhão, dentro do programa de mobilidade Promobis, um pacote de aproximadamente R$ 2 bilhões que inclui também BRT elétrico e revitalização urbana na região. As obras estão previstas para 2028 a 2032, com a promessa de reduzir a travessia entre as duas cidades para cerca de dois minutos, costurando os dois lados do rio em um único mercado imobiliário.
O parque que puxa o turismo (Penha)
Em Penha, o Beto Carrero World, o maior parque temático da América Latina, anunciou cerca de R$ 2 bilhões em expansão, com novas áreas temáticas e complexo hoteleiro. Mais atrações significam mais turistas, mais diárias e mais pressão de demanda sobre os imóveis da região, num trecho de ticket ainda mais acessível.
As obras que mudam a orla (Itapema)
Em Itapema, a cidade do m² mais caro do país, o ciclo é de orla: o alargamento da Meia Praia (R$ 60 milhões, obras a partir de agosto de 2026, levando a faixa de areia a até ~60 metros) e a roda-gigante It!Wheel (R$ 50 milhões, inauguração no 2º semestre de 2026), somados ao já entregue Píer Oporto. É o mesmo roteiro que valorizou Balneário Camboriú duas décadas atrás. Veja o perfil de Itapema.
Porto Belo: quando o capital privado constrói a obra pública
Porto Belo é o caso à parte do litoral norte. A cidade criou um modelo raro no Brasil: uma parceria público-privada (Lei Complementar nº 212/2023) em que as construtoras, via outorga onerosa, em vez de só pagar uma taxa ao cofre público, assumem a execução das obras de infraestrutura definidas pela Prefeitura. Os molhes do Perequê (R$ 13 milhões), por exemplo, saíram do bolso de 15 construtoras, não do orçamento municipal. É essa engrenagem (um masterplan de ~R$ 2 bilhões, 22 etapas até 2032) que detalhamos em o verdadeiro masterplan de Porto Belo.
Sobre essa base de infraestrutura, ergue-se uma onda de capital privado:
- VivaPark, o bairro-parque com urbanismo assinado por Jaime Lerner, já ultrapassou R$ 2 bilhões comercializados (set/2025), com a 2ª etapa de urbanismo prevista para o 1º semestre de 2026.
- O Porto Belo Cidade dos Lagos (que ganhou o mundo com o Ecossistema Neymar Jr.) projeta VGV acima de R$ 3 bilhões. Contamos essa história em por que o dinheiro grande escolheu Porto Belo.
- E o turismo internacional pelo mar: oito escalas de navios de cruzeiro na temporada 2025/2026.
Não à toa, Porto Belo foi a 2ª cidade que mais vendeu imóveis no Brasil em 2025 e a líder nacional em liquidez.
Por que isso importa para quem investe de fora
Infraestrutura é um indicador antecedente: o preço do imóvel reage depois que a obra muda a percepção do lugar. Quem entra na planta hoje, antes das entregas de 2026–2032, tende a capturar essa valorização ao longo do caminho. É a lógica de comprar na planta.
E há a camada do câmbio. Nesta primeira semana de junho de 2026, o dólar voltou a subir e rondava os R$ 5,19, acumulando alta de cerca de 2,3% no mês (a moeda variou entre cerca de R$ 4,89 e R$ 5,72 nos últimos 12 meses). Para quem ganha em moeda forte, um dólar mais alto significa mais poder de compra sobre o mesmo imóvel, exatamente o que detalhamos em o que seu dólar compra.
A leitura da Habitz
R$ 13 bilhões em obras não se espalham por uma região sem deixar marca no preço, e isso antes de contar os bilhões em capital privado de marca. Mas o investidor inteligente não compra “a região”: compra a cidade certa, no empreendimento certo, no momento certo da sua moeda. Cada motor beneficia um perfil diferente: o porto e o túnel favorecem renda o ano todo (Itajaí/Navegantes); o parque, o ticket acessível (Penha); a orla, o alto padrão (Itapema); e o capital de marca, a liquidez (Porto Belo).
Cruzar esse mapa de obras com o seu objetivo, o seu capital e a sua moeda é o trabalho da Bússola Habitz, com dado e sem pressa. E para ver a região inteira em números, comece pelo Habitz News nº 1.
Fontes consultadas
- Ministério de Portos e Aeroportos / CNN / ND Mais: arrendamento do Porto de Itajaí
- Gazeta do Povo / NSC Total: túnel imerso Itajaí–Navegantes (Promobis)
- ND Mais: expansão do Beto Carrero World (Penha)
- IMA/SC, Jornal JC: alargamento da Meia Praia e It!Wheel (Itapema)
- Prefeitura de Porto Belo, VivaPark: cruzeiros, molhes do Perequê e bairro-parque
- Investing.com / Banco Central: cotação USD/BRL (jun/2026)
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